Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

    

    

    

     (Peço aos meus virtuais amigos da Blogosfera que me desculpem esta última ausência, mas tive de me afastar por um tempinho, por força das circunstâncias, e que igualmente me desculpem não ter respondido a alguns comentários que dirigiram à minha última postagem no meu blogue. Mesmo assim, vou tentar ainda responder-lhes. Os meus agradecimentos a todos pela atenção e compreensão.)

 

                                               *   *   *    

    

     Cada vez a vida traz mais problemas, mesmo que não sejam directamente nossos, e, mesmo que sejam lá ao longe, vemo-los através deste imenso mundo actual das telecomunicações e da informatização, sentindo-nos por vezes mais perdidos na vida do que em qualquer outra época, o que parece um contra-senso. Abstraindo de guerras, frias ou declaradas, de desmedidas e perigosas ambições, de perversos e escravizadores interesses pelo grande dinheiro,  de misérias que se encolhem ou se arrastam em insatisfeitas necessidades vitais, de psicoses e fobias, de cancros e outras maleitas incuráveis por falta de dinheiro dispensado pelos governos à investigação e à eficiente assistência médica, etc., fica-nos, mesmo assim, esse aparentemente inconsistente grande mal que é a actual falta de tempo para usufruir daquilo de que gostamos, ou de viver, principalmente porque, perante os actuais males da vida, vamos adquirindo um mal-estar interior e exterior que, quase sem darmos por isso, nos vai endurecendo e amargurando, desgastando-nos, de tanto nos sentirmos tristes e de nos lamentarmos. E aqui, neste novo mundo da Blogosfera, assim como  de outros campos da Internet, apesar de atraente, embora também algo distante ou frio, igualmente sentimos a falta de tempo para acorrer a tudo o que poderíamos querer fazer, mas, se nos entregarmos muito tempo a esta distracção, já não digo todo ou quase todo o tempo disponível, acabaremos por ficar viciados ou dependentes desta prática, o que mais nos afligirá por falta de tempo para outras coisas tão ou mais importantes do que a omnipotente Internet. E se já estamos em idade mais ou menos avançada, então o tempo ainda rende menos e mais nos aflige e descoroçoa, sobretudo quando temos assuntos pessoais a tratar para os quais temos de tomar decisões, muitas vezes difíceis, que vamos adiando, acabando por se ficar congestionado, saturado, quase desesperado... 

     Hoje, mais do que nunca, com tantas coisas novas para usufruir, é necessário saber viver. E, embora haja normas ou padrões que podem ser comuns ou colectivos, cada pessoa deve encontrar o seu próprio ritmo, utilizar o seu próprio tempo, em bem, em paz, em respeito, em amor, em sociedade, com alegria e ânimo, mas sem se deixar escravizar ou dependentizar seja por que for.

 

 

 

 

                                              O Castelo e a Igreja

 

 

Do alto da colina, muito desgostoso,

queixava-se dantes à Igreja Matriz,

um pouco abaixo, o Castelo, ruinoso,

com Mértola em pendor, em sinuosos perfis,

 

e dizia: «Sinto-me em estado lastimoso.

Turista que aqui venha o mesmo de mim diz.

Eu que no passado fui heróico, grandioso!...

E a vizinha Igreja parece, de branca, feliz...»

 

«Olhe, vizinho Castelo, não me leve a mal»,

começa, com pena, a Igreja a dizer,

«mas eu da religião sou, você foi marcial...

 

Antigos somos, mouros fomos, não esquecer,

mas eu, eterna, ensino Deus, paz, moral...

Você tem, em paz, de ao Bem se converter.» 

 

 

 

(Poema meu.)

 

                                                                         

 

     (Este soneto é dedicado à amiga Natália («Rosa Fogo»), do blogue Orquídea Negra, por ser referente a dois monumentos que ela fotografou em Mértola, minha terra, de que muito gostou e muito elogiou  — fotos do Castelo e da Igreja, além de outras, que ela muito amavelmente inseriu no seu blogue, sob a forma de slide, em 5 de Outubro, no post com o título «Visita surpresa».)

 

 

                                                                                                                                                            Mírtilo



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