Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Domingo, 10 de Maio de 2009

    

 

 

     Umas pessoas dizem, algo tristemente, que a vida é difícil de compreender, outras dizem, com alguma esperança, que tem altos e baixos, ou, inversamente, baixos e altos, outras dizem, desesperadamente, que não vale a pena viver, outras, ainda, são de opinião de que a vida é bela, simplesmente, superficialmente, ou descontraidamente, e acrescentando algumas dessas que nós é que damos cabo dela, outras, com humor e indiferença, afirmam que o que é preciso é acordar vivo... 

     Seja como for, a vida é realmente algo difícil de compreender, de normalizar, de modelar, porque há uma vida em nós, a nossa, que já nos é difícil de trabalhar bem, com tudo o que isso implica, e há também a vida da sociedade, feita  pelo conjunto das nossas vidas, que são diversas, e à qual temos de estar ligados e dar o nosso contributo, social, cultural, económico, político, etc., ou pelo menos, que em geral é o mais, suportar a acção dos que nisso se impõem, que depois se tornam, ou podem tornar, os grandes, os influentes, os líderes, que podem dirigir ou governar a máquina da sociedade no sentido que acharem mais ou menos melhor para todos, o que raramente acontece, ou no que preferirem para si próprios, para os seus interesses pessoais, ou de grupo, ou de ideologia (partido).

     As sociedades modernas, economicamente a viver num esquema de economia neoliberal, com total liberdade de mercados e encolhendo os custos de produção, sobretudo em pessoal, com o próprio Estado, pelo Governo, a  ser também  economicamente tenso e a encostar-se ao neoliberalismo, são problemáticas em matéria de presente e também de futuro para os seus cidadãos, vendo-se dia a dia mais e mais lacunas, buracos, deficiências, descoordenações, injustiças, acções ilógicas, claro também abusos de poder, irresponsabilidades, fraudes ...

     E aos cidadãos, sobretudo aos mais sensíveis ou  mais necessitados e com conhecimento destes problemas sócio-políticos, navega-lhes constantemente o espírito em dúvida, descrédito, desespero, angústia ... Mas o que vale a muitos é que num dia estão assim e passado algum tempo, alguns dias, ou um dia apenas, o seu próprio espírito parece que produz ou recebe, às vezes  sem se saber bem como ou de quem, mais uma réstia de esperança que os vai acalmar um pouco por mais algum tempo, como se as suas vidas fossem feitas de marés de esperança e desesperança, em qual fluxo e refluxo... 

 

 

                                 Fluxo e refluxo

 

No dia em que a vida se torna pesada

derrubam-se moinhos e castelos,

volatiliza-se o cimento que nos associa,

caem mesmo as paredes da nossa igreja,

e ao atravessarmos as ruas da vida

somos células isoladas, semimortas,

como tomos dum corpo que era grande;

falta-nos a vontade de gostar, de irmanar,

caminhamos de expressão firme de indiferente,

sem outro sintoma válido de vida

que a introspecção dolorosa ou inerte.

Há um dia seguinte com novo sol,

uma luz que fulge alegria infanto-adulta,

localizada no candelabro de nossas almas,

inebriando-nos de tal contentamento

que sentimos necessidade de olhar,

de gostar, amar, irmanar de novo,

de erguer moinhos e castelos,

com uma igreja na nossa expressão

— como se a vida fosse uma maré

que flui e reflui ao sabor de estranha força.

 

 

 

(Poema meu.) 

 

 

                                                                    Mírtilo

 

 

 

 

                

                                 

 

 

 

   

publicado por Mírtilo MR às 18:39

A vida é difícil de entender e de viver, pois cada um de nós ainda não entendeu qual o seu lugar nesta passagem tão rápida, e como não entende a vida, nega-se a pensar ou mesmo falar na morte, que é tão normal como o nascimento
beijo
luna a 10 de Maio de 2009 às 21:53

Luna, obrigado pelo seu comentário. Na verdade, a vida é porvezes, ou muitas vezes, ou regra geral para muita gente, difícil de compreender, dir-se-ia que é um teatro, ou, talvez melhor, um circo sem portas, ou apenas com porta para a morte, onde, em maior ou menor medida, quase todos nós, ou muitos, representamos espíritos cegos, isto é, que não querem ver, iludidos pela cintilante luz dos bens materiais, quais humanas e fatalistas borboletas.
As minhas respeitosas saudações.

Mírtilo
Mírtilo MR a 11 de Maio de 2009 às 00:37

Oie!

Prazer em te receber no Gratidão.....
Feliz dia das mães para vc e sua família.
Sabe que procurei meu comentário no blog do Eduardo e não encontrei, rs!
Sou de escrever pouco, mas algumas vezes visito outras pessoas, além dos amigos que fiz, para me abrir.
Queria rever as palavras, por curiosidade.
De fato, tenho dificuldades, mas somente de entender algumas coisas difíceis de serem entendidas, mas acho que é o segredo do universo, que nunca teremos, né!?
Obrigada mais uma vez.
Muito verde para você!
Mariii
Maristella a 10 de Maio de 2009 às 23:30

Mari(stela), obrigado pelo seu comentário, porque, além das suas agradáveis palavras, foi mais uma visita que tive no meu ainda jovem blogue.
Resto de boa noite para si, assim como uma feliz semana que começa amanhã.

Mírtilo
Mírtilo MR a 11 de Maio de 2009 às 00:26

Olá Mírtilo!

Gostei de andar por aqui, fui descendo e lendo. Mértola - uma cidade com encantos muito 'especiais' .

Este seu poema do "Fluxo e refluxo" está uma maravilha! Um dia destes peço-lho emprestado, pode ser?

Passarei...

Um abraço,
Lucy



Lucy a 12 de Maio de 2009 às 00:47

Lucy, muito agradecido pela visita ao meu blogue e por ter gostado, especificamente do post «Fluxo e refluxo» e sobretudo do poema com o mesmo nome. Quando a pedir-me, um dia destes, o referido poema emprestado, poderá, quando quiser, tomá-lo de empréstimo e utilizá-lo onde quiser, talvez no seu blogue, certamente, pelo que ficarei também agradecido, pois mais gente ficará a conhecê-lo.
Um abraço amistoso.

Mírtilo
Mírtilo MR a 12 de Maio de 2009 às 14:36



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