Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

 

    

 

     Viver é, por vezes, duro e triste para muita gente, gente muito sensível aos mil e um problemas de hoje, gente que gostaria de viver em paz, numa sociedade mais fraternalista, mais solidária, mais justa, menos opressora, menos racista e menos discriminadora, menos poluidora, o que parece uma utopia, mas a utopia parece por vezes um subterfúgio de quem não quer que se realize o que ela significaria.

     Por isso, quem sofre de ou por tais problemas de índole social e política, sobretudo nos grandes meios urbanos, encontra por vezes na evasão, na fuga, física e espiritual,  permanente ou provisória, ou no simples refúgio dentro de si sem sair do local em que normalmente está, a atenuação ou a cura do sofrimento infligido pelos referidos problemas, ou pelo menos tenta tal cura.

     E é natural que quem tem alma poética ou pensa tê-la queira voar nas asas tristemente doces e libertadoras de um seu poema, ou de outrem, para algures onde possa lenir seu sofrimento, que pode ser de desespero.

 

 

 

                     Desespero

 

 

Ó auroras de mansidão ferida,

dias de horas férreas e venenosas,

em vossas veias letais e ruidosas

sinto a pátria do espírito perdida.

 

Se Ceres fértil, de fronte florida,

e Pã com suas flautas maviosas

deixassem as tumbas fuliginosas

e em agro ou serra dessem paz de vida

 

à minha alma que em dor se esvai ferida,

fugiria às técnicas asquerosas

de urbes sem alma e feição poluída

 

e mesmo em bagas de suor custosas

e em cabana com gretas construída

não teria mais horas revoltosas.

 

 

 

(Poema meu.)

 

 

 

                                                                                        Mírtilo

 

 

 

publicado por Mírtilo MR às 22:30

Mírtilo, poeta da pátria!

Vou lendo e saboreando.
Traduzir afectos ou o sentir profundo é lema de poetas.
Concordo que seja uma expressão de libertação, como refere no poema.

Fique bem, boa noite.
Lucy
Lucy a 12 de Maio de 2009 às 00:53

Lucy, obrigado pelo seu comentário e por ter gostado do post, mas não precisa chamar-me «poeta da pátria», porque isso é demasiado elogioso para mim .
Fique (também) bem.

Mírtilo
Mírtilo MR a 12 de Maio de 2009 às 14:24

Olá Mírtilo!Vim visitá-lo e o achei perfeito em sua didática e poesia.Só não compreendi muito bem é que ao me visitar escreveu em português castiço e bastante de acordo com a gramática de seu país,mas em seu blog isto não aconteceu,escreveu exatamente como o fazem os brasileiros que tem sua própria ortografia,bem diferente da que grafou lá no meu espaço.

Chego a conclusão de que brincava comigo!!!

Seu blog é muito bom e seu texto de muita seriedade e verdade!!!

Um abraço amigo!

Sonia Regina.
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Sonia Regina a 13 de Maio de 2009 às 03:25

Olá, Sónia Regina, que uma brisa celeste de felicidade desça do Céu e a tome docemente, angelicalmente, como se a fizesse, com inspiração e directriz de Deus, singela rainha («regina» que já é ...) espiritual de si própria e a espargir seu vapor de felicidade (celeste) por quem a rodeia e até por quem está longe.
Agradecido estou pela sua visita ao meu blog(ue), concretamente ao post (e) «Fuga ao desespero». E acrescidamente agradecido por achar bom meu blog («meu» sem artigo definido antes, não para parecer brasileiro, mas, sim, por ser mais poético assim) e pelas palavras elogiosas a ele tecidas.
Não estou a ver por que razão diz que no meu comentário ao seu blogue escrevi em português castiço e no meu blogue o fiz em português do Brasil, isto é, como escrevem os Brasileiros. Na verdade, às vezes, sobretudo em poesia, uso uma construção sintáctica, propositadamente, algo fora do comum, quase se poderia dizer antiquada, ou, melhor, clássica, porque me parece, além de singular nos dias de hoje, dar mais ritmo ou fluência de ritmo aos versos, isto é, acho que os versos devem fluir sem obstáculos na língua ao dizê-los. Ou então, às vezes em pequeno prejuízo da referida fluência, procuro formas de dizer algo pouco vistas, ou exóticas.
Quando quiser, visite meu blogue, porque me dará prazer receber sua excelente visita, E, retribuindo agradecimentos, de novo digo, agora aqui, neste meu cantinho de aquém-mar, que seu blogue é maravilhoso, cantinho que vale a pena visitar, a todos os títulos, sobretudo para anímico gáudio (gosto sobremaneira de usar os adjectivos antes dos substantivos e o conjunto aqui, «anímico gáudio», é, como disse, invulgar, tem sonância pouco ouvida).
Um abraço amigo.

Mírtilo
Mírtilo MR a 13 de Maio de 2009 às 12:38



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