Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

 

 

     A poesia sempre me tomou muito, tanto positivamente como negativamente. No aspecto positivo, servindo-me de tão bom alimento para a alma  — dando-me então prazer, um prazer que parece não ser deste mundo, ou das pessoas em geral —  e permitindo-me conhecê-la melhor, embora sem o conseguir de todo, dados os labirintos e recônditos cantos e recantos que a alma possui ou que parece inventar. No aspecto negativo, trazendo-me tantas vezes, para não dizer quase sempre  — devido ao tipo de poesia que fazia, e ainda faço —,  além de perda de tempo relativamente aos aspectos materialistas das vidas de todos nós, trazendo-me, dizia, tristeza, angústia, desespero, revolta, desistência, dor, doença, poderei até dizer morte ... , e acrescentar, a este respeito de morte, como nota  do máximo de intimidade em mim, que, em certo aspecto, morri há muito, ainda muito jovem ... Mas, ainda assim, acho que foi bom, muito bom, ter feito poeticamente o que fiz.

     Os meus poemas são geralmente extensos e dramáticos, por vezes raiando algo de trágico, estando de harmonia com a sensibilidade e a imaginação que me estremecem o âmago e que vão por aí à minha volta, ou mais além, ou por esse mundo ...

     Desta feita, porém, postarei aqui um poema que não é extenso.

 

 

 

                                                       Dor

 

 

Meu corpo tem dores de mártir

e grilhos de escravo eterno,

tem espuma de cavalo fustigado

e sangue de homem decepado;

foi fonte, luz, esperança,

sonho de aldeia e de cidade;

depois foi muralha encolhida

onde chocaram balas de realidade

e correram os prantos quentes 

do destroçar das ilusões.

 

Tenho no sangue o tempo

que o tumultua e enche

de cataratas de desespero,

nos miolos tenho um vulcão

que me quebra a fronte

em cefalalgias de loucura;

com força e ânsia correria

para longe deste fracasso,

ou dormiria até acordar outro,

sem memória ou sem conhecer o mundo.

 

 

 

(Poema meu.)

 

 

 

 

 

                                                                                                                      Mírtilo 

publicado por Mírtilo MR às 16:24

Tenho andado muito arredio das visitas aos blogues, mas isso tem a ver com a minha maneira de ser: de vez em quando preciso de retiro. Vim visitar-te agora com mais calma. Não comento política. E quanto a poesia também não. Digo sempre algo, sim, mas nunca juízo de valor. Entendo que cada um tem o seu rosto, a sua voz. Tem. Há que cada um descobrir a sua alma, a sua criança, o seu destino, a sua missão. A tua poesia, como tu próprio dizes, tem uma tendência para o trágico. Neste poema, nota-se. Se isso corresponde à tua maneira de ser, à tua visão, é esse o teu caminho poético. Há que ver, no íntimo, em meditação profunda, em auto-conhecimento, em que medida é a essência da tua voz, ou ramos que ficaram do crescimento da cultura e da educação. Caminho a percorrer. A nossa voz procura-se. Aparece afinada após muita labuta. Não te digo novidades, claro. Cada um tem um caminho a percorrer. Percorre-o, amigo. Deus ajuda, se a ajuda for pedida. E os amigos também. Eu sou amigo. Embora com parcos recursos, podes contar comigo. Pela minha parte, viva a poesia.
Eduardo Aleixo a 28 de Maio de 2009 às 19:29

Amigo Mírtilo! Ao ler este seu texto de hoje, e baseando-me apenas nele e não no seu poema "Dor", decidi fazer um poema da minha autoria a que dei o nome "Não há..." e que coloquei no meu blogue. Nele, pode o amigo constatar o meu real pensamento sobre o que é ser poeta e talvez identificar algumas das situações que tão intimamente nos revela no seu escrito. Um abraço.
manu a 28 de Maio de 2009 às 20:11

Que tenha um Bom Fim De Semana, Mírtilo


Gostei do Poema. Havemos de falar dele e de outros. Eventualmente.

Passei só para dizer do que disse.


Desejar-lhe um bom fim de semana. (mas acredito voltar ao longo do fim de semana. Mais que não seja para fazer o que eu gosto. Dizer o que e como sinto as "coisas". Neste caso, a descoberta deste lago.


Vim para dizer duas palavras. Não vou contar, mas veja quantas disse. É defeito. Não tenho emenda.


Fique bem Mírtilo. E, mais uma vez, OBRIGADA.


dona
Dona a 29 de Maio de 2009 às 23:41

Dona:
Pois é, não tem emenda, confunde duas palavras com quase uma enxurrada delas. E por falar em enxurrada, por que motivo se refere sempre ao meu blogue como um «lago»? Será que eu meto muita água nos artigos (posts) que cá escrevo? Ou será culpa sua e, como só pensa em banho ou em praia, acha que pode vir aqui tomar banho? Ou será, mais romanticamente, que sugere aqui a frescura, mansidão, langor, sonho, de um para si recôndito lago, quase só ou mesmo só de si conhecido, que lhe dá prazer usufruir, em doces e pequenas, inofensivas, ondas de poesia?
Bom fim-de-semana e ... contenção no uso do lago ...

Mírtilo

que imaginação

não


Esquisito estranho ou outra coisa qualquer: " Não é que, penso que ontem, eu pensava dizer-lhe porque sinto o seu Espaço como um Lago?! E nem tão pouco foi porque pensasse que ia pensar o que pensou?


Foi apenas porque me lembrei de lhe dizer. Mas pronto, parece que os meus sensores diziam: "- Diz-lhe antes que a imaginação do Mírtilo voe! - pois.

Nem sei porque é lago. Mas é-o porque eu o sinto como lago. E, um lago, para mim, tem uma designação de Paz. De uma calma quase que infinita. Eu gosto muito de lagos. Têm qualquer coisa que me atrai. Se calhar, mistério. Ninguém define bem um lago.

E porque aqui é um lago para além de qualquer sentir?! Uma das coisas é a cor prad'azul e a outra são os pequenos verdes que como pequenas algas (aos meus olhos) trepam pelas letras acima.

Visto deste lado. Sinto-o um Lago. São as cores Azul e verde.

Interroguei-me secretamente, porque uma Tão Ilustre Criatura (perdoe o criatura, mas é com carinho) utiliza esta suave combinação.

Interroguei-me. É só. Nada mais.

Chocam os caracteres. Deveriam a meu ver vir a fazer companhia a estas gentis paradas cores que de modo muito suave vão ondulando quase imperceptivelmente .

Está um dia excelente. Daqueles que me fazem bem se no sitio certo.

Mesmo assim não gosto de praia (só se deserta)

... e preferia as águas deste lago para o fazer (tomar banho) mas como diz: " .... contenção no uso do lago ..." é melhor guardar a frescura do banho para outra altura, para não esgotar as águas raras deste lago.

Tá bem. Vou ficar só a olhar.

Mas a sua última versão para a minha designação de Lago é a mais próxima da verdade.

Reli tudo. Deixei a mente reler. É um contentamento (não descontente) quem assim escreve e quem assim lê. O Mírtilo não me parece pessoa de meter água. Mais me parece convicto de tudo aquilo que faz. (será?!!!!!!) hummmmm

Pode ser. Os mirtilos à semelhança dos cogumelos, são frutos mágicos. E quem tem possibilidade de se deliciar com tão raro fruto, por viver mais perto da zona onde eles crescem, tem essa feliz iluminação da sabedoria. Do amor, do romantismo. Não é o meu caso. Infelizmente vivo longe de tudo o que é mágico. Deve ser por isso que gosto deste lago.

(sou mesmo bronca. ai que coisa feia!) - adooooro istoooooooo. Desculpe a sério. Não me leve a mal, por favor. Juro que eu gosto de si. Queria dizer, do lago! - não leve a mal, a sério! É do calor lá de fora! Parece que estou a saborear cogumelos ou mirtilos.)

- mas eu, rude como as pedras (e daquelas bem antigas) onde nada cresce para além de pequenos pontos de luz, que fazem lembrar cristais, aqui não venho tomar banho porque não me deixam mas venho beber um pouco da água-de-algas. Dizem que faz bem.

Já tou a inventar por causa da última frase.

Por um lado até parece que o Mírtilo me conhece. Homessa. Num credito. Num faltava mais nada. Mas isto (net) parece coisa de outro mundo.


ai Mírtilo eu sou muito terrível! Quando alguém me tenta impedir é quando me apetece fazer. - Quase que me apetecia escrever um livro. Deitá-lo ao lago e ficar a ver ele desaparecer. - até o Senhor do Lago chegar e me mandar embora.

O livro. Não o lago claro. - gosto de lagos


Espero que a praia esteja boa. Senão gosta pelo menos longe do lago sempre refresca as ideias.

Adoro este sol. Devia tostar os miolinhos de alguns no País. Nunca mais mentiam a ninguém.

(ainda volto no fim de semana. como disse, e é bem verdade. gosto do lago)

Mírtilo não se zangue. Se me vier a conhecer um niquito percebe que sou inofensiva. Só gosto de estar aqui.


Que esteja tudo a correr com muito Amor e Paz para si e para os seus. E, não se esqueça de um chapelito. O Sol (amado meu) está muito forte.


Dona
dona a 30 de Maio de 2009 às 16:56

Não está zangado comigo, pois não?!

Hoje fui ver o mar.

O Seu Poema - Dor

Comecei a falar dele, mas não consigo levar em frente o meu pensamento. Não sei se posso ser muito familiar a comentar. Daí que nem me atrevi. Mas gostaria de dizer que achei muito bom.

Vou só fazer uma perguntinha: .... não posso. seria demasiado atrevida. Intrometida até.

Bem. É difícil! Mas encontrei Isto de que posso falar sem constrangimento. Porque é de mim que falarei ao pegar neste seu verso:

"... foi fonte, luz, esperança,

sonho de aldeia e de cidade; ..."


Para mim não foi e sim É fonte, luz, esperança,
sonho de aldeia e de cidade; ...." Sem dúvida alguma aquilo que o Mírtilo ainda ontem pensava que este seu lago era um modo de eu me divertir (se bem que de modo saudável) é muito mais do que isso.

É fonte onde venho beber e aproveito para me sentar e sonhar. É ter esperança de continuar a prevalecer sem perder a minha fusca luz. Por isso se nessa dor sente ou sentiu tudo isso, saiba que o seu Sentir, esse mesmo, é um "remédio" benfazejo para esta minha alma, desacreditada de tudo ou quase tudo.

depois.... vimos todos de muito longe e pelo caminho do Tempo não conseguimos alhear-nos da dor se formos verdadeiramente humanos (seja lá o que isto for)

Bem Haja por existir e mil obrigadas




Dona a 31 de Maio de 2009 às 01:28


Senhor Do Lago (gosta?!) Ficava Parecido com A Dama Do Lago.


Meu corpo tem dores de mártir

e grilhos de escravo eterno,




Peço perdão, mas grilhos é mesmo grilhos ou será grilhões?! É engano?!
Desculpe é só para saber. Não conheço a palavra grilhos nem sei o seu significado.


Dona a 31 de Maio de 2009 às 10:31



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