Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

 

 

    Hoje, dia 10 de Junho, é Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas.   

     Camões nasceu provavelmente em 1524 (ou 1525) e faleceu a 10 de Junho de 1580, sendo o seu lugar de nascimento disputado sobretudo entre Lisboa e Coimbra.

     Muito se disse e se pode dizer sobre Camões, para o bem e para o mal,  acabando, devido a certos factos da sua vida, por se tornar evidente o seu reconhecimento como alguém que sofreu muito e como tendo sido o maior poeta português de todos os tempos, sobretudo por ter escrito a obra máxima da poesia portuguesa, Os Lusíadas, obra épica que veio a ser o poema nacional por excelência, a narrar a História de Portugal enquanto decorre a viagem de Vasco da Gama à Índia, o descobrimento do caminho marítimo para a Índia, ou para todo o Oriente.

     Camões sofreu em combate, onde ficou sem o olho direito, sofreu socialmente, sofreu desamores, sofreu penas oficiais, como prisão, sofreu um naufrágio, sofreu a doença, sofreu a miséria ..., e só depois da primeira edição de Os Lusíadas, em 1572, a oito anos de falecer, é que oficialmente lhe foi reconhecido valor e concedida uma tença (espécie de pensão na altura) anual de 15 000 réis, que o tirou um pouco da miséria em que vivia, mas esta tença foi mais concedida pelos serviços militares por Camões prestados sobretudo na Índia do que por ter escrito Os Lusíadas, não lhe tendo sido paga com a regularidade necessária e sendo inferior a outras tenças concedidas então, não tendo, portanto, na devida conta o inestimável serviço que o poeta prestara à Pátria ao dar-lhe a obra Os Lusíadas.

     Os seus sonetos, de temas variados, demonstram muito da sua personalidade, das suas aventuras e desventuras, do que sofreu ... E como prova do que sofreu, refira-se o amaldiçoamento do seu dia de nascimento, como que o arrependimento de ter nascido, expresso no soneto «O dia em que eu nasci moura e pereça».

 

 

 

                            O dia em que eu nasci

                                  moura e pereça

 

 

O dia em que eu nasci moura e pereça,

não o queira jamais o tempo dar,

não torne mais ao mundo, e, se tornar,

eclipse nesse passo o Sol padeça.

 

A luz lhe falte, o sol se lhe escureça,

mostre o mundo sinais de se acabar,

nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,

a mãe ao próprio filho não conheça.

 

As pessoas pasmadas de ignorantes,

as lágrimas no rosto, a cor perdida,

cuidem que o mundo já se destruiu.

 

Ó gente temerosa, não te espantes,

que este dia deu ao mundo a vida

mais desgraçada que jamais se viu!

 

 

 http://lomba.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_03.html

(Poema de Camões.)

 

 

 

 

                                                                                                                  Mírtilo  

 

 

publicado por Mírtilo MR às 20:45


Camões é eterno.

Pessoalmente considerá-lo -ei sempre o melhor de todos os tempos.

Lê-lo é cultura. É entender a arte de poemar como só ele o soube expressar.

Obrigada pela visita.

Um bom final de dia

beijinho
Gotadevidro a 11 de Junho de 2009 às 19:44

Gota de Vidro:

Agradecido pela retribuição da sua visita a este humilde blogue e pelas elogiosas palavras que aqui dedicou ao grande Camões, incontestavelmente merecidas.
Um beijinho.

Mírtilo
Mírtilo MR a 12 de Junho de 2009 às 18:26

Mírtilo MR, boa noite, venho visitar este seu espaço, e sinto ser você uma pessoa que tem bom conhecimento, boa cultura, pois sua postagem sobre o GRANDE CAMÕES, é a prova do que sinto.

Agradecida com sua visita e mensagem,
ficarei feliz se conhecer o meu outro espaço de Poesias,
e lhe convido a ser um seguidor dos meus Blogs, com admiração,
Efigênia Coutinho
Escritora

Líricas Tatuagens
Efigênia Coutinho (Mallemont)

Em tua pele
gravei meus versos,
odes ao sonho,
infinita inspiração;
líricas tatuagens
de tons suaves
no pergaminho
da mais terna emoção.
Acessa a fantasia
de gestos divinais!


Quisera
que em ti nunca
se apagassem
esses versos
fugidos do coração,
que eles te sigam
pela vida inteira,
indeléveis e puros,
testemunhos mudos
duma eterna canção.


Balneário Camboriú
2003
Efigênia Coutinho a 13 de Junho de 2009 às 23:43



mais sobre mim
pesquisar
 
Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
12
13

14
15
17
18
19
20

22
23
25
26
27

28
29
30


Últ. comentários
Caro Amigo:É já tarde que venho responder ao seu c...
Caro amigo, embora tardiamente, quase tudo se sabe...
Poetaporkedeusker:Grato pela visita a esta «sepulc...
MírtiloE se eu te disser que também tenho medo des...
Esqueci-me de dizer duas coisas... ainda estou "a ...
:) entendo, Poeta. Mas eu penso que quero e posso ...
Poeta, é bem verdade! Todos nós vamos cavando as n...
Maria Luísa:Os meus agradecimentos pelas tuas vári...
Poetaporkedeusker:O meu agradecimento, muito atras...
MírtiloTe continuo esperandoE vou sempre esperar!B...
favoritos

PEDAGOGIA DO AFETO

links