Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Terça-feira, 16 de Junho de 2009

 

    

     Por me impressionar negativamente a maneira como muita gente semeia vírgulas pelos textos, digamos que a seu bel-prazer ou por pensar que procede bem, considerando esse o seu estilo, venho, se me é permitido, apresentar algumas normas gramaticais sobre virgulação que podem melhorar a maneira de virgular por parte das referidas pessoas, neste caso pessoas que visitem este meu blogue.

     As vírgulas não se podem usar a esmo, mas, sim, em pontos certos, nuns casos, e mais ou menos certos, noutros, como se fossem, digamos, sinais de trânsito linguístico para a fluência da linguagem e para evitar interpretações equívocas ou duplos sentidos. 

      Textos, incluindo poemas, sem vírgulas ou com vírgulas 

insuficientes (como parece ser moda para muita gente ao escrever poesia) tornam-se mais difíceis de compreender, ou interpretar. Uma vírgula a menos ou a mais pode  «matar» ou tornar dúbia uma frase  -  exemplo: Disparou a arma contra si avançava a multidão.

     Quem escreve sabe, em princípio, o que quer dizer, mas quem lê pode não saber.

     Vou tentar sintetizar algumas normas de virgulação, esperando que as pessoas não se aborreçam de as ler.

 

  1. Não  se  devem  usar,  por  ser  erro  crasso,  vírgulas  entre  o  sujeito  e o  predicado ou entre este e os seus complementos directo e indirecto, se estiverem imediatamente seguidos. (Exemplo: O João comprou um livro ao Joaquim.) Mas, se estiver alguma palavra ou expressão intercalada, deverá esta ficar entre vírgulas. (Exemplo: O João comprou, ontem, barato, um livro ao Joaquim.)
  2. O vocativo é sempre seguido de vírgula. [Exemplo: Ó João, (ou só: João,) vai ver o Joaquim.]
  3. Vão sempre entre vírgulas os apostos, ou continuados, cognomes, alcunhas. (Exemplo: João, humilde e inteligente, (ou: João, o Superaluno,; ou: João, o Trinca-Espinhas,) é o melhor aluno da escola.
  4. Usa-se a vírgula em geral antes de uma conjunção que inicia uma oração. (Exemplo: Devemos trabalhar, mas sem nos matarmos a trabalhar.) Se a conjunção estiver posposta, ou intercalada, vai entre vírgulas. (Exemplo: Trabalhou, recebeu, porém, pouca retribuição.)
  5. As expressões «isto é», «ou seja» e «quer dizer» vão entre vírgulas.
  6. Antes do pronome relativo «que» usa-se a vírgula se o antecedente a que ele se refere está suficientemente caracterizado. (Exemplo: O aluno mais velho da turma, que reclamou, saiu zangado. Ou: Deus, que é justo,  premiará quem faz o bem.) Mas, se a expressão introduzida por esse «que» é necessária para melhor caracterizar o seu antecedente, então não se deve usar vírgula antes do «que». (Exemplo: O aluno que reclamou saiu zangado.)
  7. Um particípio passado ou um gerúndio independentes que iniciem uma frase separam-se por vírgula da oração que se lhes segue, ou vão entre vírgulas se intercalados numa oração.  [Exemplos: Passado (ou: passando) muito tempo, a memória vai esquecendo. O João, curvando (ou: curvada) a cabeça, cumprimentou o professor.]  

 

     Em resumo, quando há palavras ou expressões acessórias intercaladas na estrutura, ou esqueleto, da frase, tem de se «saltar», para seguir a sequência da referida estrutura, de onde está uma vírgula, depois de fazer aí a pausa, para onde está a próxima, com outra pausa  -  por isso o seu uso  -,  para que não se perca a sequência do que é essencial na frase, a fim de evitar a dificuldade ou o erro de interpretação, ou a dupla interpretação. 

     É claro que há uma ou outra vírgula mais ou menos facultativa, dependendo, pelo menos em parte, de quem escreve. E, se as várias partes de uma frase ocupassem  a ordem sequencial, não seriam necessárias tantas vírgulas.

     (Na linguagem falada, quando é de improviso, poderão admitir-se, mais ou menos, transgressões às normas, mas, se se estiver a ler o que se diz, já não ficam bem as transgressões.)  

 

 

 

                                        Virgulação 

 

 

«Há chapéus para mulheres de palha

e cintos para homens de borracha.»

As vírgulas como cada um acha

são algo que muitas vezes mal calha.

 

A vírgulas devem ter sítio certo,

embora uma ou outra possa variar

e com o estilo de quem escreve jogar,

que não deve deixar o texto incerto,

 

dúbio ou com dupla interpretação.

Deve o texto fluir no essencial,

devendo ser certa a virgulação,

 

com o que é acessório ou adicional

a ter com vírgulas separação,

para o texto não se interpretar mal.

 

 

 

(Poema meu.)

 

 

 

 

                                                                                                                  Mírtilo

 

 

 

 

     

publicado por Mírtilo MR às 15:56

Amigo Mírtilo!

Sinto essa sua preocupação
pela falta de boa pontuação
nos textos que se pode ler
sabemos que uma omissão
pode gerar muita confusão
há que ter cuidado ao escrever

Uma vez mais, obrigado pelas palavras que deixou no meu blogue. Um forte abraço.
manu a 17 de Junho de 2009 às 21:47

Amigo Manu:
Seja bem reaparecido, neste seu regresso, que, afinal, não foi muito longo, mas longo pareceu realmente. E que a interrupção, ou ausência, tenha satisfeito os objectivos que o Manu se propôs alcançar com ela.

Amigo Manu, o meu obrigado
pela sua visita a este meu espaço,
mas sem mais lhe agradecer eu não passo
pelo seu regresso, há tanto esperado,
pois no seu blogue e noutros havia
o vazio da sua boa poesia.

Um abraço.
Mírtilo
Mírtilo MR a 17 de Junho de 2009 às 22:26

Gostei de ler o seu texto, vou passar a ser uma visita assídua a este seu espaço, para ver se aprendo alguma coisa, no que diz respeito á pontuação.
Boa noite, até amanhã
linhaseletras a 18 de Junho de 2009 às 00:01

Amiga Idalina («Linhas e Letras»):

Muito agradecido pela sua visita e por ter gostado de ler o meu «post».
Venha sempre que quiser ou puder.
Saudações amistosas.

Mírtilo
Mírtilo MR a 18 de Junho de 2009 às 22:12

Amigo Mírtilo

Isto da pontuação
Fazer-se certa ou errada
É como o bater do coração
Ou tudo bate ou não bate nada

É benefíco este aprender
Ainda bem que o visitei
Estava prestes a perder
a vírgula,
que onde colocar não sei.

Fico alertada, não quer dizer que não vá cometer erro de novo, mas foi bom, aprender não ocupa lugar. Eu acho que abuso um pouco dos outros sinais de pontuação, também gostaria de saber como empregá-los .Quanto ás virgulas, também creio que abuso um pouco, porém,
saio daqui, mais esclarecida.

Obrigado, para mim, foi uma grande ajuda, bem-haja!

Um beijinho e bom fim de semana para o amigo
Natalia
rosafogo a 19 de Junho de 2009 às 16:12

Amiga Natália:
Agradecido pela sua visita ao meu blogue e espero não me ter achado pelo menos algo aborrecido por tão estranho «post», sobre emprego das vírgulas. É que acho que as pessoas, muitas pessoas, têm descurado pelo menos parcialmente, ou até totalmente, as regras sobre o emprego das vírgulas, ou pelo menos algumas das principais regras. E as vírgulas fazem parte da boa escrita, sempre foram utilizadas pelos bons e menos bons prosadores e poetas. Modernamente é que tem aparecido, sobretudo em poesia, uma tendência de não uso de vírgulas, como que a querer, parece, tornar menos compreensíveis os poemas, como se os poetas, mesmo publicando-os, os quisessem, ou à sua compreensão, só para si.
E há, é claro, também, o inverso, ou seja, o uso indiscriminado de vírgulas, a anarquia, o caos, ainda que se consiga perceber o texto, sobretudo quem o escreve.
Quanto aos outros sinais de pontuação, sobretudo o ponto (chamado geralmente ponto final) e o ponto e vírgula, há também alguma confusão sobre eles, mas já não se tornam perigosos para a compreensão do texto. Pode dizer-se, resumidamente, que, em termos gerais, o ponto final se usa no fim de um período ou de um parágrafo, isto é, um excerto de escrita que contém uma ideia completa (caso do período) ou um conjunto de ideias que se completam, com um sentido completo (caso do parágrafo).
O meu blogue procurará, se eu tiver paciência para tal, ser variado de temas mais ou menos literários, sociais e políticos, incluindo sempre, se possível, poesia concernente ao respectivo artigo inicial, isto é, de entrada do «post».
Proximamente apontarei alguns erros de linguagem que muita gente, sobretudo figuras mediáticas, na televisão, comete ao falar e ao escrever, sem, claro, citar qualquer nome.

Um beijinho e bom fim-de-semana, Natália.
Mírtilo
Mírtilo MR a 19 de Junho de 2009 às 22:45

Meu amigo, exultei ao descobrir este seu post sobre a virgulação quando vinha fazer a minha segunda visita do dia e retribuir o seu simpático comentário. Claro que a minha cabecinha deve estar meio vazia para eu me ter esquecido de fazer qualquer coisa nesse sentido! Claro que nunca seria uma tão douta exposição, mas poderia ter tentado... deveria ter tentado! Também penso que não tenho lá muito jeito para ensinar... ou penso que tentar dar o exemplo é melhor do que nada... mas é obviamente insuficiente! Agradeço-lhe muito, mesmo muito!
Os seus exemplos também são magníficos e muito elucidativos!
Obrigada e um abraço!
poetaporkedeusker a 22 de Junho de 2009 às 15:17



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