Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Quarta-feira, 08 de Julho de 2009

 

      Dia a dia, os assaltos, a cidadãos, residências, bancos, lojas em geral, estabelecimentos de serviços, organismos do Estado, igrejas, etc., vão acontecendo cada vez em maior número e por todo o País, podendo dizer-se que tendem para a generalização, o que irá trazer também crescentemente a sua banalização, a que a máquina da Justiça, que tem também entre mãos toda a outra abundantíssima e igualmente crescente criminalidade, já se vai mostrando impotente, podendo dentro de algum tempo, talvez não muito longo, atingir mesmo um ponto de completa saturação, se não houver algum dos factores envolvidos que mude, isto é, mais e melhores meios na máquina da Justiça ou penas mais severas para os criminosos, sobretudo para os reincidentes, sem vergonha, sem honra, sem coração, que existem em  abundância, como profissionais do crime que vêem, espertamente, encorajadoramente, a leveza da mão da Justiça, que, se os captura, além de penas por vezes incompreensivelmente leves, lhes dá «benesses», como seja licenças precárias, que eles às vezes aproveitam para fugir, e cumprimento de um terço ou dois das penas prisionais e o resto cá fora com pulseira electrónica, daí, de tudo isso, resultando também crescentemente que sobretudo os cidadãos, roubados ou não, vão tendo cada vez mais medo de ser roubados e até de andar na via pública, mormente em lugares algo escusos, mesmo em pleno dia.

     Parece haver nisto tudo um paradoxo: a Justiça, que deveria servir para travar a criminalidade, punindo-a exemplarmente, desde que não houvesse atenuantes atendíveis para o criminoso, acaba, com a sua tentativa de sociabilização das penas e dos criminosos, por parecer que a favorece, devido à dureza e incorrigibilidade de muitos criminosos.

 

 

 

 

                                                       Assalto

 

 

 

Quase se pode hoje ou em breve dizer

que não há português que não fosse assaltado,

às vezes ferido ou morto, para algo lhe ser roubado. 

                Toda a gente anda já um assalto a temer.

 

 

E não é só o cidadão isto a sofrer,

na rua, em casa ou no carro à força espoliado,

é também a loja, banco, supermercado,

a gasolineira, sem outros esquecer,

 

 

como farmácias, Correios, ou um consulado,

tudo se assalta e rouba, sem ninguém valer,

também escolas, igrejas (até o templo sagrado!)...

 

 

À noite já pouco se sai a espairecer,

até de dia é perigoso estar-se isolado.

E vai dizer-se: «Isto é um assalto ... pegado!»

 

 

 

 

 

 

 (Poema meu.)

 

 

 

 

                                                                                                           Mírtilo

 

    

publicado por Mírtilo MR às 15:46

Mírtilo: oa agentes da justiça dizem que fazem o que podem, mas o sistema é pesado e tal...
Quanto às tentativas de socialização - olhe, quando são presos, aí o sistema deveria arranjar maneira para conseguir uma melhor reinserção social, á saída, o que não aocntece. As reincidências são mais que muitas. Dava outra conversa!
Lúcia a 8 de Julho de 2009 às 19:49

Lúcia:

Grato fico de novo pela sua visita a mais este «post» do meu blogue e pelo seu comentário.
Felicidade pra si e um amistoso beijinho.

Mírtilo
Mírtilo MR a 9 de Julho de 2009 às 12:58

Mírtilio ! tenho uma visão sobre este triste facto, a policia prende, os juízes soltam, há realmente alguma coisa que não bate certo, será que vamos continuara a ver estas noticias diariamente ? a pessoas que praticam o crime violento, nada de passar a mão na cabeça, tem que funcionar a justiça e a lei,se não temos o país do mais forte, não pode ser. Tranquilidade se precisa com urgência depois que não se venham queixar, que a policia isto e aquilo. Cada cidadão deve ser responsável numa sociedade moderna e democrática, estas palavras são minhas, uma simples opinião claro.
Beijinho Lisa
maripossa a 9 de Julho de 2009 às 17:12

Lisa (Maripossa):

Grato pela sua visita a este «post» do meu blogue e pelas suas palavras, com as quais concordo e de que destaco que parece realmente que algo está errado, ou a não bater certo, quando a Polícia prende os criminosos e os juízes os soltam quase ou logo de seguida, parecendo haver, portanto, um desconcerto da Justiça.

Um beijinho.
Mírtilo
Mírtilo MR a 9 de Julho de 2009 às 19:21

Meu amigo Mirtílo, desculpe-me a ironia, mas o que me ocorreu, ao ler este soneto, foi que a única vantagem de se não ter mais nada senão dívidas, é de que nunca seremos assaltados... e, se formos, a "vingançazinha" de saber ter sido em vão...
Abraço grande! :)
poetaporkedeusker a 10 de Julho de 2009 às 11:41

Amiga Poetaporkedeusker:

Muito grato pela sua (por mim desejada mas ausente há um tempinho) visita ao meu blogue, concretamente a «Os assaltos».
Quanto à sua ironia, no comentário, que quase sugere aplicar-se a si, não acredito que se aplique, claro, além de que quem só tem dívidas tem, ainda assim, sempre algo que um ladrão possa roubar ou furtar, seja uma quantiazinha mínima em dinheiro, seja um fiozito ou algo de ouro, seja um objectozito de prata lá de casa ...

Melhoras na sua recuperação.
Um abraço.

Mírtilo

Mas olhe que é verdade, amigo! Já nem um único fiozito de ouro ou prata... antes fosse um exagero meu...
Abraço grande!

Olá, Mirtilo

Estive a ler o seu texto e acho-o bom e útil, na medida de quem o vier a ler, eventualmente, possa despertar para esta nova realidade.

Uma realidade que de facto cresce perante os nossos olhos já um pouco espantados de horror. Pois é, como diz e muito bem, a Justiça, talvez por excesso de trabalho, cria excessos de penas leves, que muitas das vezes ou mesmo quase sempre, leva o infractor a continuar a praticar crimes contra terceiros.

Ao par da pobreza que também alastra, o crime ainda lhe consegue ser superior em expansão.

É um mundo de temer. É um mundo para se começar a estar atento, porque nunca sabemos quem será a próxima vítima d'um Sistema deficiente ou a próxima vítima, de péssimas e urdidas politicas, inúteis.

Se eu já não gostava do mundo, hoje gosto muito menos.

Eu bem me queria parecer, que em criança, eu tinha razão quando queria ser eremita. Impediram-me. Disseram-me que não era bom se-lo, porque devia lutar pelo mundo, não ser cobarde. Que eu fazia falta. Que o mundo era bom.

Pois ... era! Já não é mais! E esta minha vontade persiste:

Quero ser eremita! Este mundo está a ficar muito feio.

"Poema do Mirtilo"


No poema do Mirtilo
Quase nada escapa
Desta infeliz Realidade
Porque Infelizmente
É a Realidade Presente.


Boa Semana, Mirtilo
lazulli a 27 de Julho de 2009 às 11:32

Lazulli:

Os meus agradecimentos por ter vindo em visita ao meu blogue, singelo mas sentido, ainda ao artigo «Os assaltos», e grato fiquei também por ter achado o respectivo texto bom e útil, por ser uma plangente e revoltante verdade e por contribuir para chamar mais uma vez a atenção para esta tão grande e crescente vergonha da nossa civilização.
Quanto ao seu, digamos, íntimo e antigo desejo de ser eremita, também já, em tempos, às vezes ainda hoje, esse «sentimento» me perpassou a alma, como aconteceu e acontece a muita gente que não consegue compreender este mundo, ou esta Humanidade. Alguns têm conseguido abdicar desta vida civilizada e têm realizado esse desejo, com coragem, como se fosse quase um divino ou natural ideal.

Boa semana também para si, Lazulli,e , vá lá, se me permite, também um beijinho, que de si não chegou.

Mírtilo

Chega agora. Ainda vai a tempo?!


Boa Noite, Mirtilo

Eu volto
lazulli a 28 de Julho de 2009 às 00:36



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