Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Domingo, 23 de Agosto de 2009

 

 

    Mértola ao nascer do Sol

                      

     Mértola é uma vila do Baixo Alentejo, sede de um dos maiores concelhos do País em extensão territorial, a confinar com os concelhos de  Beja, Serpa, Castro Verde, Almodôvar e Alcoutim, este último a pertencer já ao Algarve.

     Mértola, como em geral os concelhos do Baixo Alentejo, mas também sobretudo por todo o interior do País, sofreu principalmente na década de sessenta, devido à falta de trabalho, mormente trabalho na agricultura, um grande êxodo de trabalhadores, à procura de melhor vida, para os arredores de Lisboa e para países estrangeiros, sobretudo a França. A respeito do referido êxodo, diga-se que o concelho de Mértola perdeu durante aquela década de sessenta (de1961 a 1971) cerca de metade da sua população.

     Muito antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, quando na oposição à ditadura do Estado Novo havia apenas um partido político com nome, o Partido Comunista Português, na clandestinidade, toda e qualquer pessoa (na maioria homens) que criticasse o Governo ou alguma autoridade ou serviço público era automaticamente chamada comunista, por não ser admitida  liberdade de expressão para criticar o que quer que fosse relativamente ao Estado Novo. O Alentejo, sobretudo o Baixo, onde não havia praticamente industrialização e a maioria dos trabalhadores vivia precariamente da agricultura, como assalariados, mormente em trabalhos ocasionais, passando grandes necessidades, sobretudo na alimentação, era considerado implicitamente, ou até declaradamente, pelo Estado Novo como um viveiro de comunismo, abandonando, por isso, vingativamente ou como falsa justificação, aquela província à sua sorte, sem beneficiações ou obras públicas, sem investimentos, mas vigiando-a o mais possível através da PIDE e de uma vasta rede de informadores dessa polícia política e também através das outras forças policiais: Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana e Guarda Fiscal.

     Em consequência deste desprezo e desta perseguição político-sociais do Governo de então, o Baixo Alentejo era quase totalmente desconhecido de Lisboa para norte e considerado uma região mais ou menos inóspita, quase selvagem, que seria até perigoso visitar ou passar por lá, até pela zona litoral. De tal modo que só depois do 25 de Abril, quando as pessoas adquiriram liberdade de expressão e melhor vida e começaram a viajar, a fazer algum turismo, é que se desfez o tão negativo mito, o enxovalhante estigma, que recaía especialmente sobre o Baixo Alentejo. E a pouco e pouco, sobretudo nos últimos anos, o Baixo Alentejo tem adquirido notoriedade, a nível nacional e internacional, quer pelas suas praias, quer pelos seus vinhos, seus queijos, suas carnes, pela sua tão saborosa gastronomia, pelo seu desenvolvimento, pelas suas paisagens, mesmo agrestes em muitos casos, pelos seus numerosos núcleos museológicos ricos de história, etc.

     Mértola, debruçada de uma escarpa para o rio Guadiana, o grande rio do Sul, é uma vila de casario branco a reflectir-se no rio, em qual espelho, muito pictórica, linda, singular, bastante fotogénica, sobretudo se vista do outro lado do rio. Vale a pena visitar Mértola, antiga e importante cidade romana de Myrtilis.

 

 

                            Myrtilânide

 

 

Quando a cidade de Myrtilis se fundou,

das lindas ninfas do então romano rio Ana,

que após os Mouros, nosso, se chamou Guadiana,

qualquer delas de Myrtilis muito gostou

 

e a imagem real e a das águas lhe admirou,

e, como anímica admiração não engana,

tão belo e divino é o que da alma mana,

aquela que de Myrtilis mais se encantou,

 

que do lindo rio de ambas engravidaria

e que o nome natural de Ânide usava,

para Myrtilânide logo o mudaria,

 

e a pequena potâmide que nasceria,

linda e travessa, ante Myrtilis brincava,

no rio, mouchões, vime ou salgueiro que margeava.

 

 

(Poema meu.)

 

 

                                                                                                                              Mírtilo      

 

 

  


Amigo Mírtilo!

Pela sua terra, cada poeta faz o que pode
há mesmo quem nunca tenha feito nada
mas por Mértola, um poeta fez uma ode
para a eternidade esta vila será recordada

Bem regressado seja ao nosso convivo. Já se sentia a falta dos seus textos didácticos e da sua poesia. Belo resumo sobre Mértola e belo soneto. Abraço forte.
manu a 24 de Agosto de 2009 às 21:16

Amigo Manu:

Agradecido pelo seu comentário ao artigo «Um pouco de Mértola e do Alentejo» e pelos elogios tecidos.
Estive um tempinho afastado desta entretenga. Eis-me, portanto, de novo por aqui, até ver.

Agradecido por ter visitado
este meu blogue agora retomado
e pelo elogio a mim tecido
igualmente lhe estou agradecido.
Na verdade, sem grande poeta ser,
por Mértola faço o que posso fazer.

Um abraço.
Mírtilo
Mírtilo MR a 25 de Agosto de 2009 às 00:35

__________________________________________________

Você escreve muito bem! O texto e o poema... Gostei demais!


Beijos de luz...


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zélia a 26 de Agosto de 2009 às 01:07

Zélia:

Muito grato fiquei pela sua visita a este meu artigo «Um pouco de Mértola e do Alentejo», assim como pelos elogios e por ter gostado do que escrevi.

Também beijos de luz para você e que os deuses (Deus) lhe inundem a alma de felicidade para que a distribua por quem quiser ou gostar.

Mírtilo
Mírtilo MR a 26 de Agosto de 2009 às 19:44

Olá, Mirtilo

Como vai o Senhor?! Só passei para lhe dizer olá e ver se estava bem.

Regressarei com mais tempo.

Tudo De Bom

(lazulli)
lazulli a 26 de Agosto de 2009 às 16:16

Lazulli:

Vou bem. Ainda bem que passou por aqui, mesmo que só para dizer «Olá!».
Regresse quando quiser.

Tudo bom para você também.
Mírtilo
Mírtilo MR a 26 de Agosto de 2009 às 19:47

Desculpa, mas lê no meu blogs "Abandonados".

Fiquei doente com a crueldade do que vi!

obrigada,

Mª. Luísa
M.Luísa Adães a 28 de Agosto de 2009 às 12:13



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