Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

 

 

     É certo que o Homem tem evoluído em todos os campos, obtendo sobretudo grandes conquistas nas ciências e nas tecnologias, que lhe vão trazendo mais bem-estar material e também mais qualidade de vida, de que resulta uma esperança de vida de mais anos, principalmente devido ao actual estádio da medicina.

     O Homem, todavia, continua a não conseguir conquistar a imortalidade, máximo anseio que sempre o assaltou, certamente pelo desconhecimento e temor do que se passa para lá da morte.

     Diga-se também que o Homem muito pouco, ou talvez nada, tem evoluído no campo  espiritual, continuando com os mesmos defeitos que sempre teve, por vezes parecendo mais agravados, discriminando, ofendendo, lutando, ferindo, matando, pela posse das suas presas, sobretudo a do dinheiro, do muito dinheiro ...

     Há ainda homens, porém, muitos, muitos, que ainda se interrogam sobre o desregrado ou mau caminho que tantos, tantos, por esse mundo pisam, enganados e enganando, convencidos de que vão bem na vida ou a tentar disso convencer. E esses que se interrogam anseiam paz e regresso dos outros ao bom caminho, embora de esperança muitas vezes a fenecer.

 

 

 

 

 

                                              Homem-miragem

 

 

Como é mortal o Homem! Movimento,

luta, evolução, desejo, grandeza,

mostram apenas a mortal fraqueza

frente ao Universo, em que o pensamento

 

lhe morre de impotência e exaustamento.

Tão fraco é o Homem na Natureza,

embora contra a espontânea beleza

tudo revolva até ao esgotamento! 

 

É tão tiste o Homem ao mergulhar,

cansado e ansioso de paz, na paisagem,

rogando-lha nesse enevoado olhar!

 

É tão pobre o Homem ... e tão selvagem,

que odeia até ao ponto de matar!

Homem-deus ou feliz é só miragem.

 

 

 

 

(Poema meu.)

 

 

 

                                                                                                                                                      Mírtilo     

publicado por Mírtilo MR às 21:32

Tem razão, poeta Myrtillo. O Homem é um ser capaz de grandes e rebuscados ódios... mas também é capaz de grandes e dedicados amores.
É por isso que eu vou continuando a perseguir este meu ideal de felicidade... mesmo sabendo que é utópico. É por isso, também, que me vou sentindo feliz por comparação. Não será, decerto, pelos bens materiais ou pela facilidade da minha sobrevivência... é mais por acreditar que, de alguma forma, vou cumprindo o meu papel, vou sendo útil neste imenso teatro humano. A vida de cada um de nós é mesmo um instante de equílibrio instável no imenso mar da humanidade. A nossa vontade é apenas uma das variáveis que contribuem para esse instante, mas aquilo que fazemos é muito mais passível de ser comandado pela vontade. Não é uma verdade absoluta, mas não deixa de ser uma verdade.
Abraço grande!
poetaporkedeusker a 30 de Setembro de 2009 às 15:55

Poetaporkedeusker:

O meu obrigado pela sua visita a este blogue e pelas palavras aqui deixadas.
Faz bem em perseguir o seu ideal de felicidade, pois é bom alguém tê-lo e persegui-lo, desde que não seja indecoroso ou prejudicial, subjectiva e objectivamente.
Realmente, no imenso teatro do viver ou representar humano, tem de se ter muita vontade e muito amor a algo para sermos ou nos sentirmos, nem que seja só no nosso cantinho, um pouco ou muito felizes, ainda que com alguma das materiais necessidades que quase toda a gente, quase endoidecida, persegue. No imediato não há maior satisfação ou felicidade que fazer algo com vontade, amor e liberdade, numa acção de criador satisfeitíssimo, como é o caso dos seus maravilhosos e copiosos sonetos, e depois se verá se os outros gostam também e reconhecem, ainda no seu caso, a criativa gestação e parto poéticos que redundam em tão belamente e tão sentidamente nascidos sonetos que lhe fazem ao coração e ao rosto aflorar sorrisos de felicidade ainda que só delicadamente.

Um abraço.
Mírtilo
Mírtilo MR a 1 de Outubro de 2009 às 23:09

Olá Mírtilo ! Assim é amigo, descobrem tudo e muito criam a sua imagem e depois vem as consequências, por tal motivo vimos, o planeta cada dia mais poluído e com grandes tecnologias, a fome continua, as guerras, as políticas sem rei nem roque, salve-se quem poder e souber, e assim vai este mundo habitado por seres mortais ,que somos todos nós, esperando viver mais anos e também ideias novas.
Beijinho e desculpe o alongado das palavras. Lisa
maripossa a 1 de Outubro de 2009 às 21:34

Maripossa:

Agradeço-lhe a visita a este blogue e o comentário aqui deixado, sobretudo concordando com as ideias do meu «post».
É como você diz, inventa-se tudo e mais alguma coisa, mas a vida está cada vez pior, sobretudo para os mais necessitados, com menos dinheiro, mais fome, outros problemas mais, como conflitos, corrupção, poluição, guerras, etc.
Como é costume dizer-se, o mundo vai de mal a pior em matéria de respeito e amor pelos outros, apesar de tanta tecnologia que tem surgido.
Mesmo assim, temos de continuar a ter ainda esperança de que isto melhore, apesar de a esperança ser cada vez mais difícil.

Um beijinho.
Mírtilo
Mírtilo MR a 1 de Outubro de 2009 às 23:20

Correcto:

o homem não vence a morte,

o homem nada sabe da parte espiritual

da qual faz parte integrante,

o homem continua sem saber nada

e " finge " mostrar que nada o pertuba,

Mas morre de medo, todos os dias!

Esta é a verdade! Gostei da tua análise.

com amizade,

Maria Luísa
M.Luísa Adães a 3 de Outubro de 2009 às 14:58

Maria Luísa:

O meu obrigado pela visita a este blogue e pela concordância com a ideia principal que nele perpassa, a ideia de que, apesar de tanta evolução, pelo Homem, no campo das ciências e das tecnologias, ele continua a ser mortal e a ter medo da morte e sem saber o que para lá dela se passa.

Um beijinho de amizade.
Mírtilo
Mírtilo MR a 6 de Outubro de 2009 às 23:19

Olá

Muito bonito o teu soneto "Homem-miragem"

Ao lê-lo, tive uma intuição em escrever sobre esta miragem.
Escrever...é coisa que ultimamente nada vem a mente.
Com teu soneto senti a profundidade deste ser que somos e que transgredimos a Lei.
Ia postar aqui, mas preferi por no meu blog. Lá poderá dar teu parecer sobre o que senti quando eu li este homem-miragem.
Obrigada
Senti que novamente posso ser capaz de escrever. Isto denota que ainda não perdi o que mais me dava prazer... a escrita.
Simbologia do aMoR a 4 de Outubro de 2009 às 23:44

Simbologia do Amor:

Primeiro que tudo, o meu agradecimento por teres visitado o meu humilde blogue e pelas boas palavras nele deixadas. Seguidamente, estou contente por o meu soneto te ter feito sair da falta de inspiração em que havias mergulhado, o que, por gostares de escrever, constituía, certamente, grande tristeza para ti. Ainda bem que o meu soneto te trouxe de novo a inspiração, pois escrever faz muito bem, quando se gosta.
Só hoje me foi possível ver o teu comentário postado aqui, portanto também só hoje posso responder.
Irei, assim que possa, ver o teu blogue e o que lá escreveste inspirada no meu soneto «Homem-miragem», onde deixarei o meu comentário. Entretanto, desejo que a tua inspiração continue cada vez mais frutífera, a dar-te poemas lindos, que te façam feliz e sempre com esperança de mais fazer.

Um beijo amigo para ti.
Mírtilo

Simbologia do Amor:

Já fui ao teu blogue ver o teu poema inspirado no meu soneto «Homem-miragem» e lá deixei o meu comentário, mas houve alguma dificuldade em que o mesmo seguisse, isto é, surgiu-me várias vezes a hipótese de ter de copiar os caracteres de código, mas sem desaparecer o quadro do comentário quando carregava em «Publicar comentário», até que tive de o fechar. Portanto, ou não seguiu o comentário ou vai, se calhar, aparecer mais de uma vez. Depois se verá.

Um beijo.
Mírtilo
Mírtilo MR a 7 de Outubro de 2009 às 23:01

Na verdade esta inspiração foi algo muito rápido. Nada é como era antes. As palavras vinham em minha mente instantaneamente e eu escrevia o que causou algo chamado "transtorno da mente acelerada", a qual estou me tratando, por isso não tenho inspiração como antes. Mas tudo passou e agora estou me recuperando, mas fiquei feliz quando acabei de ler teu poema e novamente algumas palavras brotaram em minha mente e pude escrever. Por isso tenho de agradecer .
Não se incomode com a visita ao meu blogue, sabemos que o tempo é curto para muitos de nós, por isso só agora também pude retornar e agradecer pela resposta.

Abraço.

É sempre um gosto ler o que escreve, saio sempre mais rica
pois levo sempre comigo uma boa aprendizagem , é como se assistisse
a uma aula, a sério, eu nem venho com o intuito de comentar, porque na maior parte das vezes, me é difícil fazê-lo, mas chego ansiosa por
ler e parto sempre com mais algum saber. Fico-lhe grata por isso,
e virei sempre, quanto à poesia essa também é sempre divina.

Hoje venho também para lhe agradecer o comentário generoso
que me deixou e desejar-lhe uma boa semana com muita paz.

Brevemente colocarei as fotos da sua linda terra.
Afinal também muito apreciada pela minha filha que sem eu saber
me veio dizer: mãe passei por Mértola, e amei, tens de conhecer ( quando afinal eu também já conhecia). Vinha encantada com a mesquita e curiosa de querer saber mais, achou estranha a arquitectura
da mesma, falei-lhe então para ler os seus textos .

É é tudo abraço forte, fique bem
natália
rosafogo a 5 de Outubro de 2009 às 01:23

Natália:

Grato estou pela sua visita ao meu pouco decorado blogue, mas onde, sempre que tenho vagar ou disposição, tento imprimir algo que tenha algum valor objectivo. Agradecido também pelas suas magníficas palavras aqui deixadas, que me lisonjeiam, quase envergonhando a minha humildade pelo valor que me atribui, mas, enfim, é a sua apreciação, que tenho de aceitar. Também eu aprendo algo quando visito o seu blogue, além do mais confirmo que a sua poesia é real, sentida, triste, incontível, espontaneamente a brotar como límpida água de fonte, que sacia poéticas sedes de visitantes ou vagabundos internéticos.
Só hoje respondo ao seu comentário porque também só hoje vim ao computador, por se ter metido o fim-de-semana prolongado.
Cá fico à espera de ver no seu blogue as fotos de Mértola. E ainda bem que a sua filha, aliás como a Natália, gostou de Mértola.

Um beijinho para si.
Mírtilo

Meu amigo

Bom fim de semana, e obrigado por ter respondido ao comentário
deixado por mim, também para lhe dizer que tenho no blog as fotos
em slide, são pouquinhas, porque as que estão noutra máquina o neto
foi acampar levou-a e lá foram as fotos com ele, mas dá para ver que
é bem linda a sua terra e os amigos têm apreciado.

Fique bem, aí na serenidade, desse seu Alentejo, que eu invejo.
Sossego só na aldeia, mas agora vou mais e assento por lá uns dias,
sabe bem, já sonho com a lareira acesa, é um conforto que me agrada,
não sou muito de ares condicionados, ou não fosse eu aldeã, não é amigo?
São gostos que o tempo não apaga.
Ah! Não esqueço o Monte dos Cerrinhos. Penso que é assim que se chama.
De lá tudo se avista.

Abraço forte de amizade
natália
rosafogo a 10 de Outubro de 2009 às 00:40

Natália:

Muitas graças por ter feito esta visita ao meu blogue, a que estou a responder com muito atraso, depois de uma certa ausência a que fui forçado.
Já vi o seu blogue e as fotos de Mértola, em «slide», que lá publicou em 5 de Outubro, cuja publicação e interesse lhe agradeço, sobretudo por ter gostado muito da minha terra e a ter recomendado a pessoas amigas.
Já actualizei o meu blogue, por sinal com algo que lhe poderá interessar.
No seu comentário acima, fala-me de um Monte dos Cerrinhos, em Mértola, de forma dúbia em relação ao nome. Refere-se com certeza ao monte, colina, onde está a ermida e de onde tirou algumas fotos. Chama-se cerro das Neves. E o pequeno templo é a Ermida (ou Capela, como também lhe chamam) de Nossa Senhora das Neves.
Espero que tenha descansado bem na sua aldeia, certamente ainda sem lareira acesa, pois ainda se suportam mais ou menos as temperaturas, mas isso também depende de cada pessoa.

Um beijinho amistoso pra si.
Mírtilo
Mírtilo MR a 27 de Outubro de 2009 às 21:55

Mírtilo

pensei, tornei a pensar e creio que dizes uma verdade, sentida por mim.

"O Homem, pouco ou nada, tem evoluído no campo Espiritual".

Beijos da amiga,

Maria Luísa
M.Luísa Adães a 6 de Outubro de 2009 às 10:32

Maria Luísa:

De novo o meu agradecimento pela tua visita a este humilde blogue e por comungares da ideia principal que existe no artigo «O Homem» ou no respectivo soneto «Homem-miragem», que é a ideia de que «o homem pouco ou nada tem evoluído no campo espiritual».

Um beijinho.
Mírtilo


Não tem de agradecer; vim porque gosto e o tema tem tudo de verdade!

O Homem se afastou de sua condição humana - por vaidade e falta de

senso.
Não descobriu que um dia reduzido ao Nada, o mundo continua em movimento e ele homem, é esquecido de imediato!

Digo isto com pesar, pelos que pensando tudo saber - "Nada Sabem"!

Com amizade,

Mª. Luísa

Mírtilo MR

É sempre com prazer que visito este lugar, também gosto de te encontrar, mas me parece que há um tempo ,não encontro tuas belas
análises.

Com amizade,

Maria Luísa
M.Luísa Adães a 10 de Outubro de 2009 às 15:32

Mírtilo

Que é feito de ti? E os teus comentários repletos de sabedoria?

Muito que fazer? Penso que sim!

mas sinto a "Tua Falta".

Beijos,

Maria luísa
M.Luísa Adães a 15 de Outubro de 2009 às 10:24

Mírtilo MR

Continuo a esperar por ti; que tudo esteja a correr pelo melhor!

Com amizade,

Mª. Luísa
M.Luísa Adães a 25 de Outubro de 2009 às 09:12

Maria Luísa:

Cá estou de volta. Que tudo esteja bem na tua alma, que os teus simples e tão sensibilizantes poemas continuem a despontar, a nascer, para alimentar as almas dos teus leitores-admiradores, qual indispensável poético pão a fazê-los mais humanos.
Aproveitei aqui para com este comentário responder a três seguidos dos teus, qual faminto leitor teu que come três poéticos pães e apenas retribui com um, ou, mais prosaicamente, qual caçador que de uma cajadada mata três coelhos.
Já actualizei o meu blogue.

Um beijinho amistoso para ti.
Mírtilo

"Que Bom!... (meu último poema)

Que bom que tudo esteja arrumado nos seus lugares e tu em Paz possas

ficar.

Obrigada por responderes.

Mª. Luísa
M.Luísa Adães a 28 de Outubro de 2009 às 11:26



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