Todos temos um lugar, uma personalidade e um viver no caminho para a morte.
Quinta-feira, 04 de Junho de 2009

 

 

 

 

                                                                                                                                             

Hipótese de reconstituição da antiga cidade de Myrtilis, feita por desenho, com  sua defensiva muralha a toda a volta, tendo no alto o Castelo e à sua direita o Fórum, de então.

 

 

                                                      

 

Pormenor da Torre do Rio, para controlo da navegação e da água, a ligar a muralha ao rio.

 

 

 

 

(Ambas as ilustrações são de autoria de Leonel Borrela, in publicação do Campo Arqueológico de Mértola.) 

      

     A cinquenta quilómetros a sul da cidade de Beja, capital do Baixo Alentejo, fica a vila de Mértola, cujo nome proveio de Mirtolah, nome que os Árabes lhe davam, mas a povoação já vinha de há muito, muito, antes, chamando-lhe os Romanos Myrtilis, em cuja ocupação foi cidade importantíssima, já se cunhando ali moeda no século I antes de Cristo, privilégio que  Roma só concedia a cidades muito importantes, com seu porto fluvial no rio Guadiana, então de grande tráfego comercial e por onde se escoavam sobretudo produtos agrícolas e minerais de toda uma vasta zona que viria a ser o Baixo Alentejo e parte do Alto,  zona a integrar a romana Lusitânia, destacando-se, como produtos levados, cobre, prata e ouro das minas de São Domingos, no próprio concelho de Mértola, e das minas de Aljustrel, cuja zona mineira então se chamava Vipasca e distava de Myrtilis talvez quase uma centena de quilómetros,  em navegação até à foz e pouco depois pelo Mediterrâneo adentro, onde floresceram e donde se expandiram então as mais importantes civilizações, considerando-se praticamente a então cidade de Myrtilis como o mais ocidental porto do Mediterrâneo.

     A origem do nome de Myrtilis, no entanto, não é consensual, está envolta em certo desconhecimento, isto é, não é de todo certo que seja de origem latina, e neste caso poderá provir da língua fenícia.

     A origem do próprio povoado inicial, primevo, é também algo brumosa, impossível de  fixar sem qualquer dúvida, pois por lá passaram, antes dos Romanos, outros povos,  Fenícios, Gregos, Cartagineses, e antes destes o povo cinésio, também conhecido por povo cúneo, tendo também andado não muito longe dali povo celta e povo túrdulo.

     Actualmente, vale bem a pena uma visita a Mértola, pois, além de certos eventos de que se destaca anualmente, pela sua singularidade, o Festival Islâmico, poderão ser visitados vários núcleos museológicos organizados com base numa intensa e esforçada actividade arqueológica desenvolvida desde a década de oitenta, que lhe mereceram o bom e justo epíteto de Vila-Museu, assim como poderá ser saboreada a sua importante gastronomia regional, de que se salientam pratos de caça e de lampreia.

 

 

 

                                          Teu nome Myrtilis

 

 

Na sombra do sem fundo abismo temporal

perde-se tua origem e designação,

a origem envolve-a quiçá mor escuridão,

desde o primevo povoado que houve no local,

 

e, brumoso também, a ver-se menos mal,

teu nome será de menor especulação,

talvez de Myrtiri, fenícia expressão,

Nova Tiro a significar, como um ideal,

 

ou de Myrtilus, filho de Mercúrio, a provir,

Mercúrio ou Hermes, e de latim ou grego a resultar,
ou do latim myrtus, mas do grego já a vir,

 

que em português mirto ou murta veio significar,

planta talvez por ali muito a existir.

E após moura Mirtolah, Mértola veio a dar.

 

 

 

 

(Poema meu.)

 

 

 

                                                                                                                Mírtilo                  

 

 

 

 

 



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